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A ÉTICA DA RESPOSTA

Quando alguém nos pergunta algo é porque necessita de resposta.

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A ÉTICA DA RESPOSTA

A ética da resposta: Responder é uma forma de comportamento respeitoso. Muitos homens que se notabilizaram pela inteligência, pela influência que exerceram sobre a cultura, preocuparam-se com o dever ético da resposta. Mesmo quando difícil era a comunicação, os notáveis não se eximiram de contribuir com as suas opiniões. Milhares são as cartas famosas de Plínio, o jovem (no tempo da Roma imperial), Machiavelli, Descartes, Voltaire, Rousseau, Napoleão, Darwin etc.
Por mais frívolos que fossem os motivos, por mais insensatas que fossem as perguntas, por mais débeis que pudessem parecer, sempre aos grandes a resposta se assemelhou como uma obrigação (e isto o exame dos documentos que chegaram aos nossos dias pode comprovar).
Em nossos dias aceleraram-se as perguntas, porque fácil e ágil é o meio de comunicar-se. Já não é tão fácil ser extenso e analítico, mas, continua sendo dever, mesmo laconicamente, o responder-se. No turbilhão de consultas que me chegam aos milhares, há dias uma colocou-me em uma reflexão especial.

Artigo Publicado originalmente sobre “A ética da resposta” por volta de 2003

Pela Internet recebi uma mensagem que me dizia: “a pergunta que formulei a muitas pessoas, só do senhor obtive resposta”. Tratava-se de uma consulta sobre a orientação do que se deveria ler para desenvolver um determinado tema.
O interessado buscava conhecer sobre as fontes para a sua pesquisa. Considerou minha resposta quase como uma exceção e na realidade parece que assim ocorre mesmo.
Grande parte das pessoas esquece de que o silêncio pode prejudicar e quase sempre deveras prejudica quando a matéria se refere a um apelo.
Quando alguém nos pergunta algo é porque necessita de resposta.
A necessidade de nosso semelhante deve ser também a nossa, dentro dos limites de nossa capacidade em atender.
Isto porque somos responsáveis por nós e por nossos semelhantes como pregam muitas religiões e, também como afirmam os filósofos existencialistas e especialmente Sartre. A questão, todavia, da ausência de atenção, é especialmente ética.

Como agir

Podemos satisfazer ou não ao nosso interlocutor, mas, devemos, seja em que circunstância for, seja de que forma for apresentar uma resposta.
Se a conveniência é a de não informar, que pelo menos se diga “ciente” ou “não me lembro”, ou “vou pensar”, seja o que for, mas, uma resposta é questão imperiosa, é questão de princípio educacional.
Recebo milhares de perguntas por mês e as respondo a todas, não obstante a minhas tão exigentes obrigações. Fico preocupado quando me perguntam e não me oferecem meios de respostas porque me mandam endereços incompletos ou errados (fato que às vezes ocorre na correspondência eletrônica e até postal).
Entendo como aética a posição do silêncio, diante de uma inquirição qualquer, por mais singela que possa parecer. Quando, então, a questão é profissional, maior é a responsabilidade se agrega.

É dever, perante a um colega, a uma entidade de classe, a um cliente, a uma autoridade, o respeito pela pergunta que nos é feita.
É obvio que não devemos confundir objetivos, pois, de certas coisas comprometemo-nos manter o sigilo.
É nosso dever, diante de uma pergunta sobre coisa que não podemos revelar, ou falar francamente que não é possível dizer, buscar-se uma evasiva como: “não me lembro”, ou, “quem poderia informar sobre essa matéria talvez fosse fulano”, ou coisa semelhante.

Uma resposta, todavia, deve existir sempre.

Casos de sigilo profissional e a “A ética da resposta”

O contabilista, o médico, o advogado, o psicólogo, são profissionais que lidam com muitos segredos de empresas, de pessoas, de instituições e é lógico que sobre eles não deve, em circunstância alguma, efetuar comentários ou revelações que possam comprometer seus clientes ou terceiros a eles ligados.
Perguntados, não possuem, pois, o dever da resposta sobre o tema, mas, não se exclui a manifestação sobre a impossibilidade ou a prática de uma evasiva.
Só se deve informar o que o cliente autorizar e por isto está o profissional desobrigado de depor, de responder sobre a realidade, mas, não está liberado de dar a atenção que o interlocutor merece e que deve ser a de lembrar-lhe sobre o impedimento havido.
Isto, todavia, não implica em silenciar diante de uma pergunta.
Pode-se dizer: “não estou autorizado a informar” ou “só posso informar se autorizado”. Uma resposta, em seu sentido amplo, entretanto, precisa ser dada.

Sobre um caso prático sobre: A ética da resposta

Certa vez fui chamado a depor em um processo que corria contra um cliente meu. A toda pergunta que me faziam e que envolvia um sigilo eu respondia “Não me lembro”.
A certa altura, a autoridade que me indagava retrucou: “professor, o senhor é um homem de muito fraco poder de memória”.
De forma polida, sem ofender, respondi: “não sei o que se passa comigo, pois, sou capaz de recitar poesias por mais de uma hora, com a ajuda de minha fértil memória, mas, quando o caso é de clientes, perante terceiros, não consigo lembrar um só detalhe e preciso sempre de ajuda, especialmente a do próprio cliente, especialmente para dizer-me que devo lembrar-me”.
O meu inteligente inquisidor entendeu o que eu queria dizer e não demorou a encerrar o depoimento que lavrava.
Não deixei de responder, mas, deixei de informar o que eu sabia mas não podia dizer.
As respostas podem ser lacônicas, mas, precisam ser dadas, pois, caracterizam nossa capacidade de respeito ao nosso semelhante e qualificam-nos como seres deveras responsáveis. Ninguém é obrigado a informar, mas, todos, somos obrigados a responder, se deveras assumimos com dignidade o dever ético.

Autoria
Professor Doutrinador Antônio Lopes de Sá
Republicado por Walmir da Rocha Melges sob autorização antiga: A ética da resposta.

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