fbpx
Jornal Corporativo
Portal de artigos e estudos Contábeis, Periciais, Jurídicos e de Negócios

Entrevista concedida à alunos – Subsídio TCC – 25.09.2016

Coleta de dados do TCC

485

ENTREVISTA CONCEDIDA À ALUNOS – SUBSÍDIO TCC – 25.09.2016

Entrevista:

1. Quais os requisitos que o levaram a escolher a profissão de perito contador?

Quando cursava o quarto ano de ciências contábeis, muito embora eu já fosse proprietário do escritório de contabilidade chamado ESCRITÓRIO ELDORADO, tinha a consciência de que haviam muitos escritórios em minha cidade natal [Lins] onde, face à situação econômica da época e a quantidade de habitantes [em torno de 65.000] as expectativas de futuro não eram grandes e eu queria aproveitar os novos conhecimentos que estava acumulando na faculdade [FACAC – Faculdade de Ciências Administrativas e Contábeis de Lins].

Fiz parte da primeira turma de formandos, e então aproveitei os ensinamentos e conselhos dos professores, do Professor João Bondi Filho que vinha da cidade de Marília lecionar Auditoria e era egresso de uma das 5 grandes empresas de auditoria do Brasil, e também do professor e amigo Kitisi Iamauti, advogado de Lins que lecionou várias matérias do Direito nos 4 anos do curso [Introdução, Tributário, etc.]

Ocorre que Dr. Kitisi militava principalmente no direito comercial e funcionava como síndico em falências e comissário em concordatas, e ressentia-se da falta de interesse dos contadores da cidade em prestarem serviços de perito contábil, tanto como Assistente Técnico quanto como Perito Judicial, uma vez que o pagamento dos honorários periciais era moroso e por vezes irrisório.

Mesmo assim o Dr. Kitisi afirmava que “um dia o mercado iria mudar e deveríamos estar, preparados e dentro do mercado, para se beneficiar da mudança”, conceito este que era compartilhado pelo professor Manoel Carlos Muniz, advogado que lecionava filosofia e diversas matérias da área do direito, o qual, quando estávamos no sexto termo passou no concurso para Juiz de Direito e conseguiu uma vaga como Juiz de Direito em Lins. Dr. Muniz, como humanista, gostava de aconselhar e auxiliar os seus alunos, tanto de ciências contábeis, quanto de filosofia e em especial os da área de Direito na Instituição Toledo de Ensino em Bauru, e ele também me entusiasmou bastante com a possibilidade de me ajudar a adentrar nas funções de perito judicial.

Coincidentemente o professor e amigo Jandyr Paizan insistia com seus alunos que “as oportunidades de mercado que surgiam deveriam ser analisadas e ocupadas rapidamente, caso contrário outro iria ocupar aquele espaço [oportunidade]”.

Estes fatos, acumulados e coincidentes, influenciaram a minha decisão, não somente de manter-me profissionalmente na área das ciências contábeis, como também me iniciar nas lides periciais, e então parti para conseguir entrevista com outros Juizados da região.

2. Quais as dificuldades encontradas no início da carreira?

A única dificuldade inicial que encontrei foi a necessidade de estudar mais e mais, porém, como eu sempre gostei de estudar, de ler e me atualizar, não considero que isto tenha sido uma dificuldade, mas sim, um desafio para minha mente inquieta.

3. Quais as dificuldades encontradas após a carreira ter sido alavancada?

Nenhuma, a não ser, em algumas ocasiões, a falta de tempo, uma vez que as atividades, primeiro no escritório de contabilidade e depois, na empresa que constituí para exercer a auditoria externa e consultoria, como também, as funções de Delegado do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo e as atribuições como Presidente da Associação Profissional dos Contabilistas de Lins, me consumiam muito tempo.

4. Em se tratando da formação do profissional da contabilidade, se outros profissionais da área de perícia não são graduados podem exercer a função de perito contador? Se sim, em quais circunstância?

Este assunto hoje está bem pacificado no plano legal, sendo reconhecido, oficialmente, que as funções de Perito Contábil, no exercício das perícias que envolvam o patrimônio individual [pessoal e familiar] e empresarial, representam atividade privativa dos formados em Ciências Contábeis, porém, sempre ouvimos notícias de casos nos quais técnicos em contabilidade e profissionais das áreas de economia, administração e algumas outras, realizam perícias contábeis, por deterem a qualidade de “pessoa de confiança do Juízo”, mas penso que no médio prazo isto tenda a desaparecer.

Por outro lado, existem algumas áreas do conhecimento que representam verdadeira “terra de ninguém”, tais como as perícias que não envolvam o manuseio de livros e registros contábeis, mas sim, os chamados “controles internos” das empresas, tanto os manuais ou mecanizados quanto os informatizados.

Não conheço ainda nenhum movimento profissional ou legal de que isto esteja sendo motivo de análise ou estudo, e então, com a crescente onda de progresso eletrônico, penso que poderemos viver momentos de conflito entre profissionais de classes diferentes, lembrando que “aquilo que não está regulado e normatizado em lei fica ao arbítrio do Juízo do Julgador Judicial”.

  • Nota: O assunto foi regulamentado em data posterior á entrevista concedida e então aos poucos o mercado se acomoda e regulamenta.

5. Qual a maneira mais prática para fazer o levantamento dos honorários? Em que se baseia?

Eu utilizo uma planilha básica que está no meu site de Perícias como SUGESTÃO, a qual não tem a pretensão de esgotar o assunto, mas sim, de proporcionar uma reflexão e discussão, que permita levar, cada perito, à uma conclusão que melhor se aplique em cada caso no qual seja requerido a prestar serviços periciais, servindo, também para outras atividades que envolvam uma estimativa de honorários à base de horas técnicas aplicadas.

6. Existe uma ordem cronológica para o recebimento de honorários?

Este assunto está normatizado no atual Código de Processo Civil de forma clara dentro de m axioma simples que poderia ser enunciado da seguinte forma: “Trabalhe e receba, tudo no devido tempo, e caso queira, se beneficie do direito de receber 50% dos honorários arbitrados no início dos serviços periciais”. Eu, pessoalmente, prefiro receber tudo no final.

7. No seu ponto de vista, caso o juiz determinar que os honorários devem ser depositados antes da entrega do laudo pericial, qual o procedimento a ser feito caso o profissional detectar no decorrer do desempenho de seu trabalho que tais gastos/custos irão ultrapassar o antes estipulado?

Segundo a sistemática jurídica dominante, assim que o perito for nomeado ele é instado a sugerir, de forma fundamentada, os seus honorários provisórios, os quais poderão ou não ser suficientes para as horas que aplicar em cada projeto [processo judicial]. No decorrer dos trabalhos poderá haver novas necessidades não previstas inicialmente, as quais podem ser motivo de pedido de suplementação de honorários, de forma fundamentada e comprovada, o qual será analisado pelo Juízo e pela parte à qual couber a satisfação de tal custo, e então o perito terá uma resposta judicial, podendo recorrer, caso a sua pretensão não seja concedida, ou ainda o que for concedido seja insuficiente.

  • Quando houver necessidade de suplementação é importante que a petição diga respeito à dois itens em separados, primeiro pedindo o levantamento dos honorários já depositados e segundo a suplementação.
  • Desta forma receberá de imediato o que já está depositado e não ficará à mercê do tempo que levar para ser processado o seu pedido de suplementação.

8. Com que frequência o perito contador pode escusar os autos judiciais? Em quais circunstância esta atitude pode afetar sua carreira?

Os casos nos quais o perito pode, ou melhor deve escusar-se do cumprimento, devem sempre ser ligados à motivação já prevista em Lei, ou seja, no Código do Processo Civil, explicando em petição os motivos pelos quais considera que possui impedimento.

9. No atual mercado competitivo o que você acha que o perito contador deve fazer para se manter no mercado?

Muito embora esta resposta seja bastante simples, a sua aplicação é bastante morosa e depende principalmente da decisão do perito, de manter-se atualizado nos conhecimentos dos ramos nos quais atua, a manutenção da sua qualidade legal de poder funcionar como perito, comportar-se de forma altamente profissional durante as perícias, fundamentar sua opinião técnica de forma competente em respeito à técnica e a ciência, elaborar seus laudos e pareceres seguindo técnica de narrativas que coloquem os fatos de forma completa, clara, objetiva, e ao alcance do ser humano comum, seguindo o formato determinado pela LEI, assim entendida o NCPC e as regras editadas pelo CFC.

10. O que você aconselha para os iniciantes na profissão? Como você se comportaria diante da ampla concorrência de mercado diante de profissionais com uma enorme experiência de mercado?

Recomendo a leitura cotidiana de assuntos gerais, de livros vivenciados no mundo dos negócios, de outras leituras, uma vez que tudo isto vai proporcionar dois aspectos importantes, primeiro os conhecimentos gerais, e segundo o desenvolvimento de narrativas que explorem os assuntos de alto à baixo, e, principalmente, muito estudo de tudo quanto diga respeito à legislação e operacionalização do ramo pericial no qual atua.

  • Acima de tudo manter-se atualizado, ser profissional, essencialmente técnico e persistente.
  • Lembre-se que somente existe um assunto que vai mantê-lo atual no mercado a qualquer tempo. A sua expertise, as suas conclusões e os seus Laudos ou Pareceres.

Entrevistado:

Walmir da Rocha Melges – 25 de setembro de 2016

Este questionário faz parte da coleta de dados do TCC de Lucimar Pereira Faustino da Silva – 8º Período de Ciências Contábeis, sob orientação da professora Tamires Souza Araújo do Curso de Ciências Contábeis do Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara-Goiás (Ulbra). Entrevista.

Você gostaria de receber atualizações de nosso Jornal Corporativo em tempo real? Direto no seu celular ou desktop? Use nossa tecnologia de Notificação Push, inscreva-se agora.

Comentários
Carregando...

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar